1º cap. da fic

22:22:00

Será que existe uma pessoa boa e outra má? Eu pensava isso até que tudo mudou.



Na minha vida tudo era normal. Tinha uma família clássica. Eu, o meu irmão e os meus pais.
Eu dava-me bem com o meu irmão e com os meus pais, tinha boas notas e um grupo de amigas.
Passado umas semanas, eu comecei a pensar que nem tudo era assim tão bom... O meu pai pouco ou nada falava (é o seu feitio), a minha mãe e eu "chocávamos" muito e ela dizia sempre melhor do meu irmão do que de mim e não tinha grande proximidade com o meu irmão, sentia que ele não gostava tanto de mim como eu dele apesar de ser capaz de fazer tudo por ele, as minhas amigas eram falsas, não tinha qualquer paixoneta muito menos namorado, enfim, não era nem ia ser a preferida de alguém.
Quando comecei a pensar nisto queria esquecer mas não consegui e a minha autoestima desceu totalmente achando que eu era horrível, que não merecia nada do que tinha e a minha vida era má porque eu queria e, por outro lado, sentia-me culpada por me queixar de uma vida que poderia ser boa se eu quisesse.
Pensando isto, resolvi parar de desabafar e falar e até responder mal às vezes. Fechei-me nos meus pensamentos. Só tinha duas verdadeiras amigas: a Karen, não andava na mesma escola que eu e víamo-nos poucas vezes e a Matilde que com o namorado agora quase já não me ligava nenhuma apesar de eu estar feliz por ela.
Sentia-me só... Não confiava em quase ninguém, desmotivei-me na escola e continuei fechada por muito tempo.

Tínhamos ido passar as férias ao norte (eu, o meu irmão, os meus pais, os meus tios, a minha avó, os meus primos...). Estavam todos felizes, até eu, que por momentos tinha esquecido os meus tormentos.

Quando me voltei a lembrar, a minha mãe veio ter comigo e disse que eu tinha de falar com ela sobre o que se andava a passar e eu disse que não queria falar e que ela não tinha o direito de me exigir que falasse com ela e ela triste voltou para o pé do resto da família.

No dia seguinte, estávamos preparados para fazer a um piquenique.
Entrámos na carrinha que o meu tio conduzia, pusemos os cintos e seguimos viagem.
A meio do caminho com tanta “risota” o meu tio distraiu-se e não reparou que na sua direção vinha um carro em contramão e quando eu o avisei era tarde demais.
Foi demasiado rápido, só me lembro de ouvir gritos e de só pensar na estúpida que fui e no medo que tinha de os perder.
De imediato não reconheci o sítio onde estava e, perguntei onde estava a uma senhora de meia-idade que estava ao meu lado, ela disse-me que estava no hospital e eu lembrei-me do acidente que tivera. Tentei controlar-me mas não consegui e desatei a chorar, a enfermeira tentou acalmar-me mas não conseguiu. A pergunta que fiz quando me acalmei foi:
-Onde está a minha família?
A pobre enfermeira respondeu:
- Acalme-se, agora tem de descansar.
Eu retorqui logo:
-enquanto não me responder eu não vou descansar.
Percebendo que era verdade chamou o médico e quando este lá chegou eu fiz a mesma pergunta e ele disse:
-Lamento, mas, muitos dos seus familiares não sobreviveram ao acidente.
Senti que queria morrer naquele momento mas fiz uma nova pergunta ao médico:
-Doutor, quem sobreviveu?
O doutor respondeu:
- O seu irmão, a sua tia Lena, os seus primos João, Rita, Fernando, Tiago, Patrícia, Hugo e a sua mãe que está ainda em coma e em estado muito crítico.
Não aguentei e desatei a chorar. Um monte de pensamentos, lembranças invadira a minha cabeça. Eu não ia aguentar. Quem mais me invadia o pensamento agora era o meu pai. Como ia viver sem as suas piadas, os seus olhares intensos que compensavam as poucas palavras que dizia?
Depois era a minha mãe, será que apesar da sua força ela conseguiria sobreviver?
O que desejei foi voltar ao passado… Pedi ao médico para me levar ao quarto da minha mãe, ele assentiu e lá fomos.
Cheguei e vi todos os que tinham sobrevivido ao acidente ali. Corri para o meu irmão, abraçámo-nos, começámos a chorar e ele sussurrou-me ao ouvido:
-Desculpa por tudo, eu não fui um bom irmão. Não duvides, eu amo-te mais que tudo.
Emocionada, eu disse-lhe no mesmo tom de voz:
- Eu é que fui uma péssima irmã, também te amo mais que tudo. Ninguém nos vai separar.
Soltámo-nos do abraço e eu pedi para ficar sozinha com a minha mãe, eles deixaram o quarto e eu comecei a falar para ela:
- Não sei se me ouves mas quero dizer o que já devia ter dito antes. Eu achava que tudo estava mal na minha vida e que toda a gente me excluía, principalmente tu. Agora, percebi que te amo muito e não vou conseguir avançar sem ti. Se tu morreres eu não aguento e vou-me culpar para sempre. Perdoa-me. -chorei muito e ouço uma voz:
- Eu ouvi-te, não há nada para perdoar porque eu também te fiz sofrer, vamos esquecer isto e vais conseguir sem mim. Sê forte, filha. Amo-te muito. Já não aguento mais, diz ao teu irmão que também o amo. Vou para o pé do teu pai porque não posso viver sem ele. Até um dia.
Dito isto, fechou os olhos e adormeceu num sono eterno mas foi em paz. Gritei, esperneei e quando o meu irmão chega abraçamo-nos num abraço muito intenso cheio de dor, saudade, arrependimento e muito amor.
Houve os velórios e os funerais e, no dia em que fomos para casa, eu e o meu irmão, senti a casa vazia, havia perdido a cor e a vida que tinha tido. Fui ao quarto dos meus pais, mas, não conseguia ficar lá em casa nem mais um minuto e saí sem destino. Vagueei nas ruas sem rumo ou razão, escureceu e liguei ao meu irmão que estava preocupadíssimo, fui ter com ele a casa e segui em direção ao meu quarto. Fechei-me lá dentro, deitei-me a chorar e, assim, fiquei até ao dia seguinte em que o meu irmão contra a minha vontade me obrigou a comer.
(…)
Os anos foram passando e, hoje, estou no último dia de aulas do 12º ano. Tenho poucas mas boas amigas e vou passar as férias com elas porque depois não vamos estar tanto tempo juntas. Eu vou para a universidade de design de Londres e depois vou estudar música também em Londres, a Matilde é modelo e também vai para Londres estudar comigo e na companhia do Vasco (o seu namorado) que vai estudar direito e depois se vai profissionalizar no basket e a Karen fica em Portugal para grande pena minha L  ela vai estudar psicologia e assim fica mais próxima do Ricardo(o namorado) e as outras vão estudar cá.

 Gostava de ter 3 comentários para publicar o próximo e continuar com a fic.. espero que gostem e se não gostarem avisem...


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18 comentários

  1. Respostas
    1. ainda bem que gostas... é muito importante para mim...obrigada princesa <3

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  2. Este comentário foi removido pelo autor.

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  3. Uau! primeiro capitulo cheio de emoçoes bem fortes. fico a espera do proximo! beijo

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    1. obrigada querida.. acredita que a vida dela não foi nem vai ser fácil :) bjnhs

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